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Acabei de ler na edição deste mês da revista Superinteressante um pequeno dossiê – chamemos assim – sobre um assunto denso e realmente intrigante: o ‘eu’.  De fato, não sei se foi apenas devido às novas informações ou devido ao que minha consciência arquitetou a partir do fato de trazer esse conteúdo novamente à tona, mas a verdade é que estou surpreendido. Aliás, estou mais do que apenas surpreendido; dizer que estou espantado não seria exagero.

Afirmar que nossa mente evoluiu de forma avassaladora desde nossos ancestrais há 200.000 anos é, pra começo de conversa, uma falácia paradoxal. Podemos afirmar com segurança que somos muito mais avançados em relação aos Cro-Magnon ou ao Homem de Neandertal por conta das nossas engenhosas habilidades em criar soluções (e problemas) cada vez mais complexas e tecnológicas, mas a verdade é que tais capacidades são apenas um reflexo de um melhor aproveitamento de nossas potencialidades cerebrais. Nossa capacidade de adaptação nos trouxe com evoluções fisiológicas evidentes ao momento presente, mas nossos instintos continuam geneticamente idênticos!

dna monkey man

Em vários aspectos – as pessoas, às vezes, reconhecem tais questões no dia-a-dia – nossa mente funciona exatamente como há 200.000 anos. Reclamamos das coisas como se elas nos ouvissem e fossem se sensibilizar; comemos como se soubéssemos que ficaríamos meses sem voltar a comer; buscamos a nós mesmos em cada ser humano com quem interagimos para criar laços afetivos; exploramos a sexualidade como lazer com a finalidade primordial de cumprir a obrigação natural de ter filhos e perpetuar a espécie; competimos com outros humanos pelas melhores posições hierárquicas da sociedade em busca de prestígio, dinheiro e reconhecimento… A lista é enorme!

Cada uma dessas questões tem explicação científica. O importante em refletir sobre cada uma são (ao menos) duas conclusões radicais que podemos extrair dessas reflexões: (1) somos todos seres rigorosamente iguais e (2) dependemos absurdamente do bom convívio com os outros para sobreviver.

Sobre a primeira conclusão, o importante é que aumenta (ou deveria aumentar) nossa percepção de humildade. Eu achava que as pessoas de atualmente eram tão superiores aos nossos antepassados que achava graça em fases históricas que não tinham nada de cômico. Alguém aí consegue palpitar como as pirâmides Maias foram erguidas? Será que as engenhocas de Leonardo Da Vinci mereciam tantas risadas?

Ainda mais curioso (e complicado) é reconhecer que a pessoa ao lado raciocina exatamente como você na maioria dos problemas do dia-a-dia. Portanto, dizer que seu irmão menor é um idiota porque sim ou que a sua namorada te largou por um sujeito aparentemente bem inferior a você só porque você se acha mais bonito e mais esperto são motivos irracionais e instintivamente ligados a mais básica das leis do convívio entre animais: a caricata lei-da-selva.

A segunda conclusão é mais fácil de entender, mas, para muitos, mais difícil de aceitar. De fato, não é novidade que a companhia dos outros é muito importante para nosso bem estar. Aprendemos desde cedo o valor da sociabilidade e nos rendemos a seus riscos como quem mergulha numa piscina sem saber a temperatura da água. Ficamos felizes quando conhecemos pessoas com as quais nos damos bem, rejeitamos personalidades que nos parecem rudes e desconfiamos constantemente daqueles que não compreendemos de imediato – pelo instinto da sobrevivência, nos afastamos destes últimos para evitar seus riscos. A grande complexidade que é a sociabilidade entre as pessoas e a obrigação que a sociedade nos impõe para que sejamos felizes tende a nos tornar extremamente inseguros ante qualquer situação. Quem consegue lidar com tamanha pressão consegue muita ajuda para alcançar as vitórias da vida, ao contrario de quem tem que fazer malabarismos para ser minimanente reconhecido como gente boa, em cujo grupo estão muitos dos solitários de plantão em busca de (mais) uma oportunidade para demonstrar ao mundo seu valor.

O pequeno dossiê toma como exemplo dois pesquisados cujos históricos e hábitos sociais são praticamente opostos. Ambos tiveram suas chances de ser feliz. Chamam-se Mike e John. Ambos se casaram, tiveram filhos e atingiram seus objetivos profissionais. Contudo, enquanto Mike teve uma vida mais ativa, afetivamente estável e preenchida por várias pessoas queridas até sua morte, John viveu como a Moonlight Sonata de Beethoven, cujo piano mantém duas vozes que se completam bela e harmonicamente, mas remetem ao vazio. Se por um lado Mike falava com emoção e saudosismo do seu casamento e de sua vida em geral, John não expressava satisfação para falar da sua; era apenas básico e dizia não ter amigos quando perguntado, revelando, assim, o triste status de sua existência. John não se sentia solitário especificamente por não ter uma mulher (teve três), mas por não ter qualquer amigo, parente ou amor que reconhecesse seu valor.

Mike morreu aos 70 anos e John cometeu suicídio aos 53.

Situações felizes como a de Mike e tristes como a de John são bem mais comuns do que a maioria das pessoas teria coragem de admitir. A minoria dos Johns termina como ele, mas a maioria, com certeza, pensou em tomar a mesma cruel e radical decisão.

O que podemos, então, extrair de importante dessas duas histórias?

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O importante é que refletir sobre ambas as situações, assim como eu procurei provocar ao longo deste artigo, é refletir sobre o sentido da vida. Pergunte-se: qual é para mim o sentido da vida? Não há resposta correta e não é preciso recorrer às idéias de pensadores como Jean Guitton para poder concluir com propriedade. Inclusive, lidar com este questionamento faz parte do Drama Humano e jamais deve ser visto com olhar de reprovação. Qualquer que seja a sua resposta, ela o levará para a mais imperativa e complicada das necessidades das pessoas: a de ter com quem viver e ser feliz.

ATÉ A PRÓXIMA!!!

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ref.: http://lpcant.blogspot.com/2008/05/primeiro-ensaio-sobre-o-drama-humano.html

Tem poema novo no pedaço!

Na seção Abstrações“O ‘Você’ que até hoje mora em mim”.

o grande filmeSe você acha o ambiente interno da sua empresa ou o ambiente de negócios do mercado onde sua empresa atua dificil, após ler O Grande Filme, de Edward Jay Epstein (384 pags, ed. Summus, 2008, R$ 89), você vai perceber como um ambiente de trabalho que nos parece tão divertido quanto seus produtos pode ser traiçoeiro.

A verdade é que trabalhar com filmes não costuma ser tão acolhedor e divertido quanto os making off demonstram parecer; o que não quer dizer que esses videos extras que nutrem tão bem a curiosidade de muitos fãs e consumidores dos filmes sejam atuações, mas há muita diferença entre a impressão que temos quando assitimos aos making off e o ambiente real da esmagadora maioria dos cineastas que querem Hollywood. Isso vale tanto para os EUA quanto para qualquer outro lugar no mundo, desconsiderando suas particularidades, é claro.

O fato é que fazer filmes é uma atividade realmente ardilosa, embora altamente recompensadora para os que conseguem o que sonham. Essa é a verdade que Epstein quer desconstruir. Se você não for um Jerry Bruckheimer, um Tim Burton, um Spielberg ou for descoberto logo de entrada como o novo Kubrick, há pouca probabilidade de que lhe seja concedida tanta liberdade para inventar roteiros e tomar decisões sobre um projeto de grande orçamento, mesmo tendo cursado uma boa escola de cinema.

Para solidificar suas “acusações”, o autor conseguiu informações contábeis de vários filmes, especialmente de duas grandes produções: O Exterminador do Futuro 3 e 60 Segundos, que cita ao longo do livro. Por um lado, ele critica a indústria misturando esses dados com as inúmeras citações de profisisonais do ramo e muita comparação histórica. Assim, Epistein vai desconstruindo os absurdos que permeiam o desenvolvimento do roteiro, o distanciamento entre a dramaturgia das histórias e seus intérpretes em função dos recursos em computador, as relações sociais entre os participantes da comunidade hollywoodiana e as interferências do governo. Para que você tenha uma idéia, Epstein nos faz compreender a estranha visão de que, hoje, a bilheteria é o que MENOS importa para os grandes estúdios.

Por outro lado, capítulo a capítulo, Epstein manda uma mensagem clara aos aspirantes a hollywood mostrando que não adianta sonharmos em dominar o mundo com nossas pretenções artísticas (eu mesmo ja tive tais devaneios) pensando somente em nossos ideais a serem expostos como fantasiamos. Muitas pessoas querem ou gostariam de ter tido a oportunidade de fazer um filme de grande exposição, mas as que obtém sucesso são tão poucas quanto as que conseguem mapear de forma eficiente a equação da indústria cinematográfica americana.

Afinal, as grandes produtoras (seis) são empresas como qualquer outra, todas com capital aberto em mais de uma bolsa de valores e, portanto, dependem de resultados para manter o volume financeiro que circulam para poder, então, investir em filmes ou séries de televisão. Sem demonstrar lucros não haverá investimentos e sem investimentos não será possível criar as condições para justificar que o exército de profisisonais que trabalha por trás das câmeras torne o filme um produto interessante tanto ao público quanto à indústria.

Esse raciocínio implicito ao longo de todo o livro é o que justifica o predomínio de tantos filmes chamados comerciais. Os filmes independentes de cunho artistico são, 9 em 10, fracassos financeiros para a produtora, idealizadores e para os distribuidores, dada a extrema dificuldade de criar público para tais produtos. O jovem cineasta, portanto, que quiser usufruir do oásis de um grande orçamento precisará de muitos anos de excelentes serviços sob as regras comerciais da indústria antes de pensar num projeto mais pessoal e autoral.

No fim das contas, vale a máxima do manda quem pode, obedece quem tem juízo”. Éssa é a grande questão que Epstein nos propõe a refletir. É claro que o livro todo expôe a visão dele e há (minha opinião) alguns excessos, mas só alguém com experiência no setor poderia confrontar algum argumento do livro.

Em termos de leitura, o autor é muito explícito e o texto é bastante ágil e objetivo. Contudo, isso tem seu preço: são tantos detalhes, tantas informações surpreendentes ditas em poucas linhas que – para os que querem reter “tudo”, como eu – a leitura se torna cansativa em alguns momentos.

Fui lendo e grifando, como se estivesse estudando. Para poder evitar um desgaste maior sem preder o impeto pelo assunto, tive que ler poucos capítulos por dia para poder digerir e visualizar aquilo tudo com a serenidade que eu me exigia. Depois da introdução, li a parte 2 (para mim, a principal), organizei as outras partes por interesse e fui lendo fora de ordem. Para mim, que não tenho o hábito de ler regularmente, foi uma ótima experiência.

=)

Enquanto estamos todos curtindo o surreal espetáculo Vaudeville e o Senado, em cartaz na Broadsilia com novidades a cada semana, nos outros bastidores está sendo preparanda a próxima temporada deste show: Vaudeville & TAX: CPMF II: A MISSÃO.

nova cpmfÉ simplesmente inacreditável o que está acontecendo na câmara dos deputados neste meio de ano: o PM(erdas)DB já está ativando seu network governista para aprovar uma Lei Complementar à EC-29 (Emenda Constitucional 29). Segundo este crime-projeto, o objetivo Oficial é discriminar QUAIS os gastos com a saúde pública deverão ser contemplados pela União, estados e municípios para que os recursos captados pelo imposto a ser criado junto à crime-Lei sejam corretamente aplicados.

Como diz a campanha contra a Dengue: “é aí que mora o perigo!” O imposto chamado CSS (Contribuição Social para a Saúde) poderá nos roubar 0,1% de toda a movimentação bancária. Pode não parecer significativo, mas tanto para quem vive com orçamento apertado como para quem está querendo começar a investir ou mesmo especular com ações para aproveitar a recuperação econômica dos próximos anos, a CPMF II: A MISSÃO será sentida.

gripe suina chargeO mais ofensivo, neste caso, é a desculpa esfarrapada que o PM(erdas)DB e o PT-171 está usando para persuadir seus lulistas aliados: a pandemia da gripe [suína] A (H1N1). Mas é muita cara-de-pau! Acontece que os políticos gostam de farra, gostam de aparecer e precisam sentir que fazem a diferença em seu País, independente de que essa diferença ser para melhor ou para pior, contanto que seus nomes sejam lembrados dentro e fora de seu network.

Quando a CPMF I foi extinta, o governo quase DOBROU a CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) de 9% para 15% e aumentou o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), válido para operações de crédito, de câmbio e seguro e operações relativas a títulos e valores mobiliários em 0,38%, além das alíquotas já estabelecidas. Até parece que o Brasil precisa de mais dinheiro!

Segundo o Valor Econômico de ontem, a oposição ameaça recorrer ao Supremo Tribunal Federal contra essa medida, CASO seja confirmada em votação. Uns dizem que o senado, do jeito que está, jamais aprovaria essa crime-Lei contra os cidadãos de bem. Afinal, a temporada atual de “Vaudeville &…” ainda não acabou e deve render bastante audiência.

A câmara está quietinha, concentrada… Roteirizando meticulosamente o próximo crime perfeito a dar o clímax necessário para a próxima temporada. O cenário de fundo, pelo menos, o ministro Temporão já fez questão de nos contar.

Em tempos de PT-171, pode ser que dê tudo errado (espero). Mesmo assim, vale observar que pelo menos o enredo faz sentido.

dinheiro impostos

Vaudeville e o Senado

Prólogo: Não vou gastar uma palavra além deste parágrafo para falar de Sarney porque acredito que há uma considerável probabilidade de ele se manter na presidência do senado e as coisas irem voltando ao “normal” aos poucos. Aqui no Brasil, é assim que as coisas funcionam, infelizmente. Afinal, acredito que Sarney, sozinho, é inofensivo; o problema está naqueles que o acompanham; está mais no todo e menos em suas partes.

crise senado 2009

Intro: Portanto, Já que a amálgama está instalada no senado brasileiro, eis que aqui estou para expressar meu desprezo contra três palhaços de Vaudeville que tem furtado a atenção de todos: Renan Calheiros, Fernando Collor e Paulo Duque. Se ainda tivéssemos a possibilidade de assistir àqueles singulares espetáculos teatrais, com certeza as “excelências” que acabei de citar seriam as estrelas do ridículo a serem satirizadas.

Sinopse: Sobre Renan e Collor, tamanha é a charlatanice de ambas as “excelências” ao atacar outras excelências com seu inválido discurso que terminam por transformar o palco político brasileiro em mais uma peça de Vaudeville, assim como foram as divertidas CPMIs dos Correios e do Mensalão, com o infortúnio, porém, de que desta vez o espetáculo infantil não tem a menor graça e não merece o valioso prestígio de ser tratado como entretenimento.

Atos: O oco ataque de Renan Calheiros, o Cangaceiro-de-Terceira-Categoria do show, contra o passado de Pedro Simon e, depois, contra a integridade de Tasso Jereissati deu a entender que Renan não tem argumentos para atacar os opositores (Se é que alguma vez teve.). A dispensável discussão deste com Tasso Jereissati demonstrou quem realmente sofre de “complexo de maioria”: ele próprio, o Cangaceiro-de-Terceira-Categoria da Baixa-Renânia. Discute como se tivesse controle da situação e em nada contribui! É um INÚTIL!

collor putinhoSobre Collor, o Obreiro do show, seu eufemismo na defesa contra Pedro Simon deu o ar da graça de embustido como quem vive de politicagem. É o seu esporte! É sua profissão! Não sabe fazer outra coisa na vida! É outro INÚTIL! Não bastasse o ignóbil passado registrado nos livros de história, o Obreiro quer construir mais fezes em seu país.  É impressionante: já que decidiu voltar ao jogo, deveria trabalhar pelo bem e não seguir o mau exemplo de um agitador como Renan Calheiros; atacou, inclusive, um jornalista que nada tem a ver com a crise do senado e exerce seu livre papel de criticar quem merece ser criticado. O País tem vergonha de Fernando Collor!

“Senhor Collor, não tens vergonha de protagonizar a tão infantil discussão com o jornalista da Veja? Enxergue-se, palhaço! O que o senhor está conseguindo é tornar a sua imagem cada vez mais negativa perante o Brasil, atrapalhando o andamento das votações que NOS interessam ao alimentar esta bagunça instaurada no senado com ameaças fúteis e imponência barata.” (eu)

paulo duque e renanPor fim, resta-me opinar algo sobre Paulo Duque, o verdadeiro Todo-Poderoso deste show: “@#$%# $%¨&$*¨%¹³ %¨&¨$#%¨&* %¨*&¨%#$#! Saiba que este não é um retrato da opinião pública, minhas palavras codificadas são apenas a vóz de seu subconsciente. A opinião pública “agradece” os seus nobres serviços pela ÉTICA, definida segundo seus parâmetros!” (eu)

Moral: …E assim, o espetáculo de vaudeville – que viveu seu fim nos anos 1930 com a débâcle financeira de 1929 e a ascensão do cinema – está de volta na sua forma mais grosseira. Os jornais e a Televisão são meros instrumentos por onde a população assiste ao palco onde os atos de desenvolvem. Longe de pagarem seus micos e fazerem suas graças para divertir, políticos como as três “excelências” homenageadas neste artigo se apresentam ao país como palhaços travestidos de políticos INÚTEIS!

Escrever e publicar minha opinião neste artigo é que foi divertido! Tão divertido quanto deve ter sido para Roberto Pompeu de Toledo escrever sua coluna se defendendo de Collor. Confirmar a tese defendida por Paulo Duque de que “político hoje virou um lixo” torna-se, assim, puro entretenimento. E com razão!

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